quinta-feira, 14 de junho de 2012

Santo Antônio contra o "fato consumado"

Trabalhadores e indígenas constroem acampamento no Xingu +23. Foto: Patrick Sandre.
Moradores da comunidade de Santo Antônio, índios dos povos Munduruku e Juruna e outros participantes do Xingu +23, evento de protesto contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, reafirmaram hoje sua postura de resistência à concretização desse grande projeto. Lavradores que já foram expulsos de suas casas, outros que sofrem com esta ameaça, pescadores e dezenas de outros impactados marcaram presença nas atividades da manhã de hoje, que são realizadas conjuntamente com os festejos religiosos em homenagem a Santo Antônio, padroeiro da comunidade que recebe o evento.

As celebrações trazem uma mistura de tristeza, pela tomada iminente do território da comunidade pelas obras de Belo Monte, com a esperança de que essas obras ainda possam ser interrompidas. O cartaz que chama para as celebrações diz "O último festejo de Santo Antônio antes da barragem", mas depois completa: "O santo das causas perdidas contra o fato consumado". "A gente sabe que é difícil depois que já começaram a construção, mas agente não perde a esperança e a gente sabe que a União faz a força", diz o agricultor Francisco José, um dos impactados.
A programação do Xingu +23 continua esta tarde e amanhã com a realização de mesas de debates e oficinas na comunidade de Santo Antônio. No centro de Altamira, uma audiência pública será realizada a partir das 16h de hoje no auditório do campus da UFPA. O ator Sérgio Marone, um dos integrantes do movimento Gota D'água, participa desta audiência e ouvirá depoismentos dos impactados. Amanhã, uma caminhada contra a barragem deve tomar conta das ruas de Altamira.